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ArqueoBeira - Recursos arqueológicos da Beira Interior. História das localidades  


  Fundão
 


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Vista geral da cidade de Fundão - ArqueoBeira 2003

O Fundão situa-se na Cova da Beira, no sopé do Monte de S.Brás, um ramo da Serra da Gardunha e é sede de concelho desde 1746.

Derrube de muralha no castro de S.Brás - ArqueoBeira 2003O Fundão terá tido origem num castro situado no Monte de S.Brás, provavelmente datado do 1º milénio a.C.. Os vestígios existentes demonstram que o castro terá sido um povoado importante da região, estando situado num ponto geo-estratégico fundamental para o domínio da Cova da Beira.

Com a chegada dos romanos, assiste-se a uma tendência para trazer as populações para a planície e é nesta altura que o castro terá começado a entrar em declínio. A população terá começado a fixar-se na zona mais fértil e amena onde hoje se situa o Fundão, sendo que na zona da Rua das Quintãs, tradicionalmente tida como a rua mais antiga do Fundão, foram descobertos vestígios romanos nomeadamente cerâmicas domésticas e de construção, mós e tijolos de coluna, indicadores de que aqui teria existido uma villa romana. Dentro do perímetro urbano do Fundão Ara a Trebaruna - Câmara Municipal do Fundão, 2003também foram, no Séc. XIX descobertas 2 aras votivas dedicadas a Vitória e a Trebaruna, respectivamente, para além de mais recentemente, se ter também descoberto um epitáfio: o Epitáfio de Nepos. Esta villa estender-se-ia desde a actual Rua das Quintãs até ao sopé do monte de S.Brás, zona onde aliás foram descobertos diversos materiais entre os quais se destacam mós manuais, fragmentos de terra sigillata, de tijoleira e dollia, fragmentos de vasilhas, bordos de ollae, cerâmica de vários tipos incluindo decorada e a de paredes finas, um fragmento de lucerna, um peso de tear, um tijolo de coluna, uma fornax e uma espada.

O povoamento terá então evoluído em torno desta villa até à Idade Média, altura em que terá sido reaproveitada para construção de uma casa senhorial fortificada, da qual subsistem alguns merlões com seteiras descobertos nos escombros de uma casa que ruiu em 2002. Esta casa poderá ter sido pertença de Martim Calvo, um membro da baixa nobreza que surge referenciado em documento régio envolvido num litígio de posse de terras.

Merlão com seteira - Câmara Municipal do Fundão, 2003As primeiras referências ao nome de Fundão surgem em documentos de 1307, depois nas Inquirições Dionisinas de 9 de Agosto de 1314 (descrevendo a existência de "32 casais nos lugares do Fundão e da Levada") e mais tarde em 1320-21. Até então não existem quaisquer referências a esse nome nem sequer no Foral da Covilhã em 1186

Ao Fundão terão chegado depois nos Sécs XV e XVI judeus em fuga de Espanha devido ao Édito dos Reis Católicos de Espanha. Este facto terá dado ao Fundão um importante impulso nas áreas comerciais e financeiras deixando marca na localidade. Uma das ruas emblemáticas do Fundão, a rua da Cale, poderá ter como significado o termo hebraico que define um ponto de encontro, onde os judeus se encontrariam para praticar o seu culto. A antiga sinagoga, uma marca evidente dessa presença, só há relativamente pouco tempo terá sido demolida.

Uma prova gritante da importância da comunidade judaica no Fundão aconteceu quando em 22 de Novembro de 1580, um grupo de populares ousou desafiar e agredir os representantes da Inquisição que aqui haviam sido enviados com o intuito de prenderem judeus e cristãos novos importantes. O último judeu do Fundão faleceu em Dezembro de 2003. Tratava-se de Moisés Abrantes, o "Joaquim Judeu", referenciado no Livro de Ouro de Jerusalém, que deixou algumas obras escritas.

Entretanto e com o passar dos anos o centro cívico do Fundão começa a deslocar-se na direcção da zona onde se encontra actualmente a Câmara Municipal.Câmara Municipal do Fundão - ArqueoBeira 2002

Por ordem do Marquês de Pombal, é criada a Real Fábrica de Lanifícios e para isso construído o edifício que actualmente alberga a Câmara Municipal, embora com 2 pisos na sua traça original. Actualmente, com 3 pisos, o edifício tem no seu topo o campanário do arruinado Convento de Santo António, situado em monte sobranceiro ao Fundão.

Em 23 de Dezembro de 1746, é assinado pela Rainha D.Maria I o alvará que cria o concelho do Fundão, que assim se desliga do concelho da Covilhã. No ano seguinte, a 10 de Maio de 1747, por carta régia de D.João V, é confirmada a criação do concelho e na mesma ocasião, o Fundão é elevado a vila. Deve-se esta elevação ao Desembargador José Vaz de Carvalho pela sua acção junto da corte.

O Fundão viria finalmente a ser elevado a cidade em 18 de Abril de 1988, juntamente com Marinha Grande (Estremadura), Montemor-o-Novo (Alto Alentejo) e Vila Real de Santo António (Algarve).


O topónimo "Fundão"

Quanto ao topónimo "Fundão" muito se tem debatido acerca da sua origem desde teorias que alegam que a palavra derivará do aumentativo do termo latino Fundus (Herdade ou Quinta) ou Fundanus (Quinteiro ou Lavrador) até outras que apresentam a sua localização geográfica como prova evidente da sua origem.

Diz o Prof. Dr. José Pedro Machado na página 192 da sua obra "Palavras acerca de palavras", "Não se perdeu ainda a noção da origem do topónimo, porque todos o empregam com o artigo: o Fundão, vou ao Fundão, estive no Fundão. Isto justifica a etimologia geralmente proposta e seguida: o substantivo fundão "local situado no fundo de elevação; depressão, vale, cova, precipício, que continua com bastante uso".

 

Fontes:Jornal do Fundão;
"Toponímia do Fundão"
J.Salvado Travassos, 1998;
"Fundão - Elos de uma história milenar", Héstia Editora 2003;
Câmara Municipal do Fundão - www.cm-fundao.pt

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